Magdala além do ponto!!!

"Quanto a escrever mais vale um cachorro vivo". Clarice Lispector

Monday, August 01, 2005

Perto do fim, dentro de mim.

Agora eu choro, querida. você não está aqui.
. sei que você não voltará.

Saturday, July 23, 2005

Pedra livre

Feito criança, feito gênio, feito flauta.
E deu um barulho esquisito, o disjuntor desligou uma das fases aqui de casa e eu tive que ir correndo ver o que era. Deu curto na tomada descapeada que fica do lado da minha cama mas não queimou nada não. Fiquei com medo que tinha o computador a televisão lá do Catete e o dvd nessa fase. Eu ainda tô pagando, você sabe né. Pelo menos parou de tocar aquele disco do Lulu Santos, já tava repetindo pela quinta vez. Mas como eu tava dizendo, acordei tarde a beça e escrevi aquela carta com o remetente falso que eu disse que ia escrever há um tempão. Será que alguém na sua casa vai abrir pra ler? Ia ser engraçado, né? Achei engraçada aquela história que você me contou outro dia, que você conta pra sua mãe que meu nome é Mônica, sou loira, evangélica e moro na rua Principal. Tem sido engraçado esse negócio de ter uma porrada de nomes, fico imaginando quantas piadas já fizeram de mim por causa disso. Entre outras coisas.
Feito nuvem, feito flor, feito água.

Sunday, July 17, 2005

Das definitivas

Para o doce Dragão que é Clarisse Abreu.
É tempo de resolver coisas deixadas pela metade.


Não. Começou mais um dia com uma negação. Não é que fosse fácil ou difícil... simplesmente ERA e muitas vezes esse ERA ERA insuportável. Para tanto caminhava longas fileiras de cigarros logo pela manhã, manhã essa, eu digo, do horário que se acorda; poderiam ser cinco da manhã ou seis da noite. Mas o fato é que era, digo, ERA uma longa carreira de cigarros e a certeza de que estaria acordada durante a noite, todas as noites.
E andava nas ruas sem destino algum como se fosse uma novidade que ninguém tivera feito antes. Parando pouco a pouco nos cafés para ver as menininhas de colegial passar, perfeitinhas em seus sapatinhos de boneca, loiras muito loiras ou de cabelo negro muito negro, deliciosas e brancas e puras como pavê de abacaxi. Vitrines memoráveis mas nem tão intocáveis assim... lembrou do dia em Vila Isabel quando levou um violento tapa no rosto de uma loira oxigenada, os olhos pleniluzentes e azuis clamando por ajuda. A mão, o gesto e o impacto, o xingamento de costume, mas meu sapato é 36... E ria sem remorso.
Caminhava sem remorso como a malabarista de Zaratustra sobre a trilha infinita de cigarros, a caixinha já rasgando, os cigarros já amassados por tantas vezes que muito cansada usava da própria bolsa preta como travesseiro; um banco de praça totalmente isolado em Juiz de Fora, e a sede e a fúria durante o pré-sono com olhos violentamente entrecerrados para que nunca mais pensasse em
[...]
E não pensava. Nem deduzia. Com dificuldade pulava de Virginia Woolf para Platão.
Círculo. Algo circundava ela além das histórias que sempre se repetiam esvaziando a vida como um rodamoinho de pia ou privada (horário no hemisfério sul e anti horário no hemisfério norte? Eu não sei, estava de ressaca pra lembrar).
Algo circundava ela. Era um cordão de força e, ao mesmo tempo, uma área de risco. Imaginava os corredores da UERJ cheios, repletos de pessoas correndo em sua direção como se soubessem que ela era o problema maior e corressem, fugindo de alguma coisa, um tiro ou um espetáculo, inevitavelmente correndo em sua direção prontos para esmagá-la. Para nesse momento sentir, vindo do nada, o perfume indefinido de mistura de perfumes que era daquela outra. A outra, mais do que qualquer outra. E através desse cheiro de tudo, enviado telepaticamente dos olhos miúdos e da pele macia e fina como seria o leite se fosse possível alisar o leite e sentir sua tessitura. Ou seria textura, não sei. E haveria:
Haveria um novo livro profético a ser escrito que fala sobre a redenção pelo cheiro de uma mulher, vindo do nada, cheiro de inteira mulher, vinda do indefinido. A multidão em fuga vindo em sua direção não a atropelaria, ela saberia se esconder, deslizando suavemente para um abrigo improvisado; um caixa 24 horas vermelho. Ela parada, fumando. Ela, toda um homem na realidade. E mais:
Passada a multidão ela se voltaria para o vazio de sapatos e carteiras quebradas no chão e voltaria seus olhos para o lugar de onde tudo fugira. E ali se depararia com o QUE. (...) Mas o tempo mudou. As pessoas e coisas evoluíram. A ordem mudou. O tempo mudou. O impossível foi realizado na cidade vizinha, apesar de não ter sido noticiado nos jornais que não lemos. O tempo mudou. Olha agora para o QUÊ e diz: QUÊ PORRA NENHUMA! FIZ ESFORÇO PARA SER, ENTÃO QUE SEJA. DE UMA VEZ POR TODAS:
Sim ou não?
E o desconhecido responderia. Quando isso? Eu não sei. Talvez na hora dos clichês. Sim e não talvez sejam os clichês supremos do inconsciente. Mas saber que a instrução é essa é um caminho. Caminho que não tinha. Bem, como diz o senhor h.: “um dia,chega a hora”
Eu sei senhor h. E madame l. também.

Monday, July 11, 2005

Um dia de Sol na cidade colonial.

Caminhar meio sem sentido pela rua, você do meu lado esquerdo como faz um dragão de verdade. Mas antes tive minhas precauções. Perguntei se o seu perfume tinha mudado, você disse que não. Colocou mais do que o normal então? Negativa dupla, tá bom. Esquece. Mais ou menos uma coisa de arquivamento, apesar de totalmente sensitória, você comentando nas lojas Americanas que colocava tanto cosmético, um sobre o outro que o cheiro final era o indefinido, era o "que" maldito de Caio F. Mas prosseguimos nosso caminho pela rua como se não soubessemos que só dávamos voltas na mesma praça, passando pela mesma lojas, sorveterias e chocolaterias uma duas tres quatro cinco vezes. Mas passando. Ficamos até depois da hora, parados junto do canal selecionando o próximo país que iríamos visitar: Venezuela, Ciméria, tem ônibus pra todo camto mesmo nesse lugar né? O sorvete tão esperado, calor atípico nem mum pouco esperado, deslizamos até a rodoviária antes que Thor nos castigasse com raios fulminantes sem misericórdia. E caímos vertiginosa-mente do céu para a profundeza, nossa casa na baixada, sem antes brincarmos de ver estrelas que você sabe o nome me ensina então. Então combinamos, vamos trazer uma filmadora da próxima vez para não cair na putaria da ficção literária, "Estou perto de ser H. Miller" pensei baixo para ela não ouvir.
Foi Domingo, o dia dela. E ela não assume mas gosta de amarelo.